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Técnica PACE

  • Técnica PACE

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“A escolha de palavras e frases para o seu aplicativo importa.”

Esta frase é uma mensagem de Kaely Coon e Jennifer Bush. Elas são **escritoras e fazem parte da equipe de design de interface da Apple.

Em um vídeo divulgado na Conferência Mundial de Desenvolvedores Apple (WWDC) de 2022, a dupla compartilhou dicas e práticas para uma melhor abordagem da escrita através das lentes da linguagem.

Conversando por interfaces.

Não bastam apenas as palavras. É preciso olhar para a estrutura dessas palavras, o momento em que aparecem e o sentimento que elas despertam. Para aprofundar esta técnica, Kaely e Jennifer sugerem o acrônimo PACE, que pode ser traduzido para o português como “ritmo”.

PACE

Propósito, Antecipação, Contexto e Empatia.

Esta estrutura é muito útil para criar fluxos de conversa naturais, que mantenham as pessoas interessadas e engajadas no que você está dizendo.

Propósito

Quando você for desenhar as telas do seu aplicativo, pense na coisa mais importante que alguém precise saber naquele momento. Este é o propósito da sua tela.

Quando você conhece o propósito de uma tela, você pode fazer escolhas sobre quais ideias você quer manter, quais pode retirar ou quais pode mover para outro lugar.

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O exemplo da esquerda é uma versão inventada, contém muito mais texto. A tela está tentando fazer muito. Este é o momento em que paramos e pensamos no propósito. Precisamos saber neste momento o por quê o iPhone precisa esfriar? Reparou que o botão de emergência quase nos sugere que é uma ação necessária?

Já na imagem da direita, a escolha da Apple, é muito mais simples. A imagem do termômetro transmite que a temperatura está alta, não precisamos dizer isso explicitamente. Uma simples frase diz que o iPhone precisa esfriar antes que você possa usá-lo. O botão diz apenas “Emergência”, portanto, se você precisar fazer uma chamada de emergência, ficará claro o que fazer.

Ao invés de tentar dar muitos detalhes, aponte para a simplicidade. Tenha um propósito para cada tela. Devemos pensar em como acolher as pessoas e ensiná-las o que elas precisam saber.

Quando pensar propósito:

  • Considere a hierarquia da informação.
  • Saiba o que deixar de fora.
  • Tenha um propósito para cada tela.

Antecipação

É sobre pensar nas palavras do seu aplicativo como parte de uma conversa: um diálogo entre sua tela e quem está usando. Afinal, todos seres humanos em uma conversa têm momentos de fala, escuta, pausas e perguntas, certo?

Vamos pensar em um exemplo: você programou seu alarme para um determinado horário. Você acaba acordando antes do despertador e começa a mexer no aparelho. Então ele pergunta: “Parece que você está acordado. Deseja desligar o alarme e o modo suspensão?”

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Muitos escritores vão mencionar que quando tratamos de conversação precisamos desenvolver primeiro uma voz e depois variar o seu tom. Você está desenvolvendo um jogo para crianças? Um aplicativo de um banco?

Pense com quem está falando e descubra o vocabulário que vai usar. Uma dica é fazer uma lista de termos comumente usados nestes cenários. Sempre cuidando de não abusar de pontos de exclamação, pois podem parecer bobos se usados com frequência.

Quando pensar antecipação:

  • Pense em uma conversa.
  • Desenvolva sua voz e varie o seu tom.
  • Saiba o que vem depois.

Contexto

Quando uma pessoa usa um aplicativo ela pode estar em um aeroporto movimentado, em sua casa ou ocupada com alguma outra atividade simultaneamente.

O relógio da Apple (Apple Watch) consegue notar o momento em que a pessoa está se exercitando e os momentos em que está parada. O contexto de movimento e caminhada nos indica que fica difícil a pessoa parar e ler muitas palavras. A mensagem é então a mais direta possível.

Ao parar de se movimentar, o contexto muda. A pessoa já pode receber mais informações na tela, como sua distância total, o seu ritmo e contagem de calorias.

É provável que seu aplicativo vá conter alertas. Eles são recomendados para os momentos em que se deseja a confirmação de uma ação ou uma escolha.

Alguns alertas podem ter uma ação destrutiva ou algo que não pode ser desfeito, como remover um dispositivo da sua conta, por exemplo.

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Este alerta faz a pergunta “Remover iPhone?”, e os botões respondem com “Remover” ou “Cancelar”. O contexto aqui é que alguém precisa fazer uma escolha importante, na qual pode perder informações. “Remover” é a ação destrutiva, então seu botão fica vermelho e à esquerda. O botão “Cancelar” está à direita e dispensa o alerta sem realizar nenhuma ação.

Evite empregar termos como “Ops!”. E também evite usar “por favor” e “desculpe”, pois podem soar insinceros. Use-os com moderação.

Crie estados vazios úteis. Existem áreas em interfaces onde, temporariamente, podem não possuir conteúdo. É importante fornecer orientação ou indicação do que pode aparecer nestes espaços. Por exemplo, na biblioteca de podcasts do Apple Music, quando você não tem episódios salvos, o conteúdo do estado vazio indica o que será encontrado naquele espaço em outro momento.

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Quando pensar contexto:

  • Pense fora do aplicativo.
  • Escreva alertas que ajudam.
  • Crie estados vazios que sejam úteis.

Empatia

Quando olhamos para empatia no ponto de vista da escrita, significa que você deve escrever para todas as pessoas. Por mais que tenha um público específico, não deve deixar ninguém de fora.

Expressões em outros idiomas e o uso do humor podem ser mal interpretados ou não traduzidos. Algumas frases podem ser excludentes.

É importante também responder às necessidades de localização. Lembre-se de que seu aplicativo pode ser usado em qualquer lugar do mundo.

Para o seu aplicativo ser usado pelo maior número possível de pessoas, ele precisa falar com o maior número de pessoas possível. Precisamos abraçar a acessibilidade.

Uma pessoa cega ou com baixa visão pode configurar seu dispositivo para exibir o texto em negrito, ou fonte maior, ou até mesmo usar um leitor de telas.

Todo elemento precisa conter um texto pensativo, útil e descritivo. Veja como o leitor de telas descreve alguns emojis.

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Você pode observar no emoji da parte superior que não são apenas os detalhes físicos descritos, mas a intenção, como se compartilhasse um segredo. No emoji da parte inferior, tanto os detalhes físicos e o contexto de meditação são descritos.

Observe também que sempre é referido o termo “pessoa”, ao invés de um “homem” ou uma “mulher”. Assim como a linguagem evolui de forma mais ampla, as palavras que seu aplicativo usa também devem evoluir.

A última dica dada pela inteligente dupla é para que leiamos nossa escrita em voz alta. Isso pode realmente ajudar a garantir que sua escrita soe como uma conversa, como você conversaria com um amigo.

Quando pensar empatia:

  • Escreva para todas as pessoas.
  • Seja responsivo a diferentes localizações.
  • Desenhe para acessibilidade.